Resumo
O objetivo deste artigo é discutir a perspectiva descolonial como elemento para a reestruturação construtiva de arquivos públicos. O percurso é construído a partir do pressuposto de que tivemos como parâmetro as construções arquitetônicas de poder, abarcadas pelo colonialismo e ecletismo europeus, que influenciaram o modo de ver e construir em sociedade, repercussões na formação da ciência arquivística e na construção dos prédios de arquivo, sobretudo tudo, na lógica que privilegia a preservação dos acervos do Estado e no silêncio das vozes das comunidades arquivísticas locais. Para a construção do estudo, utilizou-se pesquisa básica, bibliográfica e documental por meio de abordagem exploratória. Foram realizadas buscas nas bases de dados Library, Information Science & Technology Abstracts (LISTA e Scopus (Elsevier). Observou-se um total de 123 publicações recuperadas, analisadas por títulos, resumos e palavras-chave. Após a aplicação dos critérios de exclusão, foi possível identificar quatro trabalhos selecionados relevantes para o eixo da pesquisa. Os resultados identificaram a cultura local como um ambiente construído de representação. Conclui-se que a decolonialidade é um ponto de partida promissor para repensar as formas de projetar a partir da conexão com as raízes locais.
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